10 de mar de 2011

Craniopuntura promove alívio "rápido e excepcional" em casos de dor

Dirce controla a dor ciática com a craniopuntura:
40 anos com as agulhas.
 Matéria de Márcia Neri,
publicada no Correio Braziliense, em 10/02/2010

Reconhecida pelo meio científico e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde a década de 1970, a acupuntura vem se aperfeiçoando e ganhando cada dia mais adeptos no mundo ocidental. A craniopuntura, considerada uma nova especialidade dentro da milenar terapia chinesa, tem provado que mesmo os recursos mais tradicionais da medicina oriental são passíveis de evoluções. A técnica, usada há apenas meio século, trabalha a inserção de agulhas no crânio e, segundo seus defensores, apresenta ótimos resultados no alívio da dor crônica, tratamento de danos neurológicos decorrentes de acidentes vasculares cerebrais, doenças degenerativas, hipertensão e até transtornos psicossomáticos.


O ginecologista Francisco Souza, especialista em acupuntura pelo Instituto Internacional de Acupuntura de Pequim, aplica a craniopuntura desde a década de 1980. Ele explica que, atualmente, os acupunturistas lançam mão da craniopuntura tradicional, desenvolvida por um neurocirurgião chinês e mais direcionada à área neurológica, e da de Yamamoto, aprimorada por um médico japonês. “Yamamoto abriu o leque de tratamento da craniopuntura para problemas funcionais, como dores de cabeça, dores neuromusculares, inflamações e males decorrentes do estresse do dia a dia, como a insônia”, pontua.

A craniopuntura original trabalha pontos localizados em linhas identificadas como meridianos na cabeça. Pelo método de Yamamoto, essas delimitações não existem. “Os dois métodos não são excludentes. Podemos usar ambos em uma mesma sessão”, pondera.

Além da emergência
Francisco Souza, conhecido como Chico Agulha, observa que os efeitos da craniopuntura são imediatos em relação à dor, bloqueada com a inserção das agulhas. Segundo ele, muitos pacientes chegam às clínicas sem conseguir se movimentar, totalmente travados. "Depois de uma sessão, muitos saem andando. A craniopuntura é excelente em situações emergenciais, mas deve ser complementada, para o alívio não ser apenas momentâneo", sustenta.

O médico afirma que estudos conduzidos em diversas partes do mundo buscam entender o mecanismo de bloqueio da dor. Alguns enfatizam que a estimulação feita pelas agulhas na cabeça, região tão próxima ao córtex cerebral, altera rapidamente o quadro da dor. Outra explicação estaria ligada à codificação do corpo inteiro, já que a medicina chinesa trabalha pontos que têm a codificação neurológica de todo o organismo. "Além do alívio excepcional da dor, a craniopuntura tem se mostrado eficiente em problemas emocionais. Tenho tido resultados excelentes em pacientes com insônia, depressão e pânico. Muitos conseguem diminuir ou mesmo se livrar dos remédios", alerta.

Pessoas com sequelas neurológicas também encontram alento na craniopuntura, que proporciona a recuperação de parte dos movimentos. O acupunturista Marcus Evandro de Brito Santos, coordenador da Escola Nacional de Acupuntura, explica que todo estímulo nervoso passa pelo cérebro. As agulhas inseridas em pontos da cabeça promovem o equilíbrio da pessoa. "Elas sedam, tonificam, desbloqueiam ou fazem a energia do organismo circular. Por isso, temos conseguido destravar os movimentos de pessoas que sofreram acidente vascular cerebral ou danos neurológicos", enfatiza.

Segundo ele, quanto antes for feita a intervenção em casos de AVC, melhor para o paciente que busca a recuperação de membros afetados. "Nos casos em que a pessoa não consegue recuperá-los, conseguimos ao menos relaxar a musculatura", garante.

O pequeno Ângelo Duarte Medrado Neto, 8 anos, estava com o corpo completamente travado há cinco anos. Vítima de um quase afogamento, a criança sofreu danos cerebrais permanentes. "A fisioterapia não conseguiu soltar os músculos e resolvemos recorrer à craniopuntura. Fiquei impressionada desde a primeira sessão. Tanto os braços quanto as pernas de Ângelo se soltaram. Antes, ele ficava deitado o tempo inteiro, o corpo estava muito rígido e as mãos ficavam feridas. Foi emocionante verificar o relaxamento da musculatura, vê-lo sentar depois de tantos anos", conta Veridiana Medrado, mãe de Ângelo.

Ela revela que o filho tinha ainda muita febre e secreções no pulmão, problemas que também foram aliviados com a craniopuntura. "A pupila, que era completamente dilatada, está bem melhor. Hoje, Ângelo já responde a alguns estímulos, passou a engolir melhor os alimentos e consegue balbuciar meu nome. Para complementar a craniopuntura, faço as massagens diárias recomendadas. Em relação ao estado que ele estava, a melhora é de 100%", aponta.

A livreira Dirce Rodrigues Santana, 67 anos, resolveu a dor ciática com a craniopuntura. Adepta da técnica chinesa clássica há mais de 40 anos, ela diz que é importante que o paciente tenha disciplina no tratamento. "É uma terapia, um processo. A primeira sessão de craniopuntura promove uma resposta imediata em relação à dor, ao retorno dos movimentos, mas é preciso tratar a raiz do mal. Sessões complementares são importantes e as mudanças de postura e hábitos são fundamentais", considera.

Energia que dá vida : Palavra de Especialista*
A história da acupuntura confunde-se com a história da própria medicina na China, que existe há mais de 5 mil anos. A escrita milenar chinesa permitiu a continuidade do conhecimento e, posteriormente, outros países orientais contribuíram para o desenvolvimento das técnicas dessa terapia. Os orientais partem do pressuposto que existe uma energia que permeia e dá vida a todo ser humano. Essa energia, conhecida como Qi, circula no corpo por meio de caminhos denominados meridianos. A inserção de agulhas em determinados pontos equilibra as forças opostas do Yin e do Yang. A acupuntura permite o estímulo preciso de regiões do corpo, promovendo a promoção, manutenção e recuperação da saúde, bem como a prevenção de doenças. A maior conquista da craniopuntura é a resposta rápida para pacientes com problemas no sistema nervoso central (SNC). As agulhas, na verdade, agridem o SNC, que se defende. É essa resposta que promove a reversão da limitação e o retorno do equilíbrio.

*Aparecida Enomoto é médica, com especialização em acupuntura pela Universidade de Medicina Tradicional de Pequim

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